O meu avo acabou de falecer.
Estava a preparar-se para fazer uns exames complicados e afinal nao chegou la.
Mais uma vez na minha vida isto acontece numa altura crucial pra mim. Quando o avo O faleceu, eu tinha comecado a trabalhar e tinha mudado de casa...
Quantas vezes nao pedi secretamente que os meus avos chegassem ate ao meu dia de casamento. Quantas vezes! E afinal os meus pedidos nao foram suficientes. Nao chegaram. Nao me ouviram.
E de repente o casamento deixa de ter a luz que tinha.
E penso na minha avo a mancar, agarrada ao meu avo, eu a correr pra um, e a avo dizia, nao me ajudes, vai mas e ajudar o teu avo, eu la ia ate ele, e ele dizia, ajuda a tua avo, ajuda-a a ela... enfim, estas coisas de quem esta casado ha 60 anos, porque 60 anos sao uma vida. Estas coisas de quem ja nao sabem o que e a vida sem o outro.
E o avo sempre a cusca quando eu falava com ela ao telefone "pergunta-lhe isto, e diz la se ela ja fez aquilo", sempre em segunda voz, porque nao queria vir ele ao telefone. E" entao quando e que vens trabalhar pro banco de portugal" (my all time favourite)... Coisa que nao parava de dizer.
E um dia quando o encontrei por acaso na baixa, nas poucas ocasioes que falava com os amigos dele, e que inchou que nem um pavao, e comecou logo com os exageros dos feitos da neta, logo ele que nao era nada dado a essas coisas. Mas naquela ocasiao parecia que eu era a Sheena, rainha da floresta, ainda que na area das economias ou afins.
E os passeios na praia, e os sorvetes na D Pasolini - 3 sabores E NATAS!. E aquelas fotografias de mim pequenina com ele na praia, os dois de costas, ele com aquelas costas grandes, muito grandes, que ultimamente eram tao pequeninas e tao frageis.
E lembro-me sempre, nunca me esqueco, das vezes que dizia " pequeninaaaaaaaaa....nao te irrites...." ou entao, "eu assumo a responsabilidade" sobre qualquer asneirada que eu quizesse fazer que nao fosse autorizada pelos pais....
Anyway, morreu o avo P. Dos 4 que tinha, tenho agora so uma. Primeiro a avo M. que foi sem avisar, assim de repente. Depois o Avo O. QUe la por nao ter sido de repente, nao deixou de ser menos chocante. E agora o Avo P.
E agora penso na minha mae. Penso na minha avo. No que vai ser a vida dela. Uma vida quase toda ela passada ao lado do marido. E amanha vou pra PT e nao sei o que lhe dizer. Nao tenho cara pra lhes dizer nada, nem a uma nem a outra. E nao sei qual delas vai estar pior. Que a minha mae e um rochedo, mas ta um pedrinha pequenina-pequenina neste momento.
Avo, nao se preocupe, "que eu ca assumo a responsabilidade".....
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quarta-feira, outubro 17, 2007
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