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segunda-feira, novembro 19, 2007

Post 500 - Ainda o Carlinhos

Pois e, e o post 500.
E eu queria ter energia para dizer muitas coisas alegres, mas so consigo pensar no Carlinhos. E tanto que eu queria ter la estado no sabado para dizer adeus.

Enfim, a vida as vezes nao faz sentido nenhum. Hoje e um desses momentos.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Carlinhos, esta e para ti.

Fiquei mesmo muito triste. Acabei de saber.
Vi-te ha um mes atras, no funeral do meu avo, e estavas um encanto de menino, como sempre foste.
Ja nao es bem um menino, ja devias ter uns 25 ou 26.
Mas para mim eras e seras um menino, porque ainda te vejo de avental a correr e a ajudar nos jantares de grupo, sempre bem comportado, e sempre com uma cara de malandrice, apesar de eu ca achar que nunca foste muito malandro.

E nao gostei nada de saber que ja ca nao estas. E malditas sejam as motas, e abencoado seja o dia em que a MMDU me proibiu terminantemente andar de mota, apesar de eu ter feito uma fita enorme.

Carlinhos, esta e para ti. Para ti e para os teus. Para a tua irma que ca ficou, e para os teus pais.
A dor que els tem nest momento e inimaginavel. Porque nao ha dor maior que a de perder um filho. Especialmente um filho tao bonzinho como tu sempre foste.

Hoje estamos todos de luto.

domingo, outubro 21, 2007

Menina que estas a janela


Menina estas a janela, era o titulo desta fotografia.
Nao costumo usar os nomes reais de ninguem. Toda a gente nesta historia e ficticia. A fotografia do lado e da Felismina. A razao porque uso o nome real da Felismina e porque a Felismina ja nao esta connosco.
Na sexta feira de manha sai de casa da minha avo pra ir a casa ver as minhas gatas. Com a questao do meu avo ter falecido, eu fiquei o tempo todo com a minha avo, desde que aterrei no Porto. Na sexta tive um tempinho e la fui ve-las. Abri a porta e a Felismina estava magrissima , um caco. Olhando pra ela, ja dava pra ver. Mas eu nem toquei nas outras e fui de requito pro veterinario. Esperei, esperei, esperei, uma espera infindavel. Chegou o Mateus, e outros caes e gatos. E nada de noticias da Felismina. Finalmente la me chamaram. A coisa era feia, mas ainda iam fazer uma ecografi e verificar. Eu tinha que a deixar la e depois voltar ao fim do dia. LA fui ve-la antes de me ir embora. A Felismina Sedosa, que era na realidade o nome dela, estava doentissima, mas sempre de bom espirito, sempre mimalha, sempre sedosa. Partiu-se-me o coracao de a ver assim, com soro, tao fraca. A coisa ia custar muito caro, mas os 800 euros de estimativa que me deram nao eram nada, desde que eu trouxesse a gata pra casa viva.
Fui com o meu pai comprar qualquer coisa pra comer e depois fui pra casa esperar. La fui ver as outras tres meninas gatas, e mais uma vez, foi uma choradeira despegada. Tinha uma conference call as 3.30 da tarde. As 3 nao aguentei e liguei ao medico. Ja todos la sabiam da morte do meu avo, e acho que foi por isso mesmo que ele falou comigo pelo telefone, porque normalmente estas noticias nao se dao pelo telefone. A Felismina nao se ia safar. Mal pousei o telefone tive a tal conference call. Estava lavada em lagrimas, mas ate me fez bem.
Depois la fui ao veterinario. A Felismina tinha tido ja uma convulsao a tarde, e ja nao reconhecia ninguem, estava esticada num cobertor, com uma especie de aspirador na boca (seria oxigenio....) Mantiveram a gata viva para eu me poder despedir. Tive tantos gatos, e sempre me safei desta, porque a minha mae tratava sempre destes assuntos. Mas desta vez fui eu. Fui eu que me despedi. Fui eu que assinei um papel que tinha EUTANASIA escrito a letras maiusculas e bold. Fui eu que escrevi o meu nome por baixo. Fui eu que fui la dar-lhe um beijo, apesar dela ja nao me reconhecer. E fazer-lhe uma festa, sempre sedosa. E se de manha me estava a preparar psicologicamente pra tomar a decisao sobre a gata, a tarde nao ouve nada que decidir. A Felismina estava pre comatosa. Nao havia mesmo nada a fazer. A bichana nao tinha hipotese.
No consultorio o veterinario tirava papel do rolo e dava-mo pra eu enxugar as lagrimas. Chorei imenso. Uma vergonha. Sai de la e na sala de espera, enquanto me faziam a conta, la fiz umas festas a um gato que la estava. A dona dormia com ele, e eu comecei a chorar. A senhora la me perguntou se eu tinha perdido um animal, e quando lhe expliquei que tinha enterrado o meu avo e a minha gata, gerou-se ali uma situacao estupida, eu de joelhos no chao, a fazer festas ao gato da senhora, e a senhora a fazer-me festas a mim. Enfim....
Ontem ao fima da tarde la voltei a casa, pois a minha avo achou que tinha que se habituar a dormir sozinha e que eu nao podia ficar la sempre. Mal cheguei a casa peguei nas tres gatas e meti-as no quarto pra dormir uma soneca. Um momento de alegria enquanto a N. saltava em cima da minha mala e a tentarva destruir - nao, a mala nao e um afiador de unhas....- e a A. e a B. fuzavam uma contra a outra porque se queriam as duas deitar em cima da minha cara, e a A. e a B. nao se dao. La concoraram com a divisao do espaco - a N com a mala, a B. em cima do meu cabelo, e a A. nas minhas costas. Um momento bom, no meio de tanta porcaria e tristeza.
Uma semana de merda. Comecou porreira, e depois enterro o meu avo e morre-me uma gata. Ha prai muita gente que nao e proxima dos avos e que nao gosta de animais. Eu cresci com os meus avos, era muito proxima deles. E as gatas, para mim, sao-me mais que a maior parte das pessoas que conheco. E quem me conhece sabe isso. E so nao entende quem nao tem avos nem animais.
Enfim, ja estou em Londres, mas estou despedacada.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pequenina, nao te irrites

O meu avo acabou de falecer.
Estava a preparar-se para fazer uns exames complicados e afinal nao chegou la.
Mais uma vez na minha vida isto acontece numa altura crucial pra mim. Quando o avo O faleceu, eu tinha comecado a trabalhar e tinha mudado de casa...

Quantas vezes nao pedi secretamente que os meus avos chegassem ate ao meu dia de casamento. Quantas vezes! E afinal os meus pedidos nao foram suficientes. Nao chegaram. Nao me ouviram.

E de repente o casamento deixa de ter a luz que tinha.

E penso na minha avo a mancar, agarrada ao meu avo, eu a correr pra um, e a avo dizia, nao me ajudes, vai mas e ajudar o teu avo, eu la ia ate ele, e ele dizia, ajuda a tua avo, ajuda-a a ela... enfim, estas coisas de quem esta casado ha 60 anos, porque 60 anos sao uma vida. Estas coisas de quem ja nao sabem o que e a vida sem o outro.

E o avo sempre a cusca quando eu falava com ela ao telefone "pergunta-lhe isto, e diz la se ela ja fez aquilo", sempre em segunda voz, porque nao queria vir ele ao telefone. E" entao quando e que vens trabalhar pro banco de portugal" (my all time favourite)... Coisa que nao parava de dizer.

E um dia quando o encontrei por acaso na baixa, nas poucas ocasioes que falava com os amigos dele, e que inchou que nem um pavao, e comecou logo com os exageros dos feitos da neta, logo ele que nao era nada dado a essas coisas. Mas naquela ocasiao parecia que eu era a Sheena, rainha da floresta, ainda que na area das economias ou afins.

E os passeios na praia, e os sorvetes na D Pasolini - 3 sabores E NATAS!. E aquelas fotografias de mim pequenina com ele na praia, os dois de costas, ele com aquelas costas grandes, muito grandes, que ultimamente eram tao pequeninas e tao frageis.

E lembro-me sempre, nunca me esqueco, das vezes que dizia " pequeninaaaaaaaaa....nao te irrites...." ou entao, "eu assumo a responsabilidade" sobre qualquer asneirada que eu quizesse fazer que nao fosse autorizada pelos pais....

Anyway, morreu o avo P. Dos 4 que tinha, tenho agora so uma. Primeiro a avo M. que foi sem avisar, assim de repente. Depois o Avo O. QUe la por nao ter sido de repente, nao deixou de ser menos chocante. E agora o Avo P.

E agora penso na minha mae. Penso na minha avo. No que vai ser a vida dela. Uma vida quase toda ela passada ao lado do marido. E amanha vou pra PT e nao sei o que lhe dizer. Nao tenho cara pra lhes dizer nada, nem a uma nem a outra. E nao sei qual delas vai estar pior. Que a minha mae e um rochedo, mas ta um pedrinha pequenina-pequenina neste momento.

Avo, nao se preocupe, "que eu ca assumo a responsabilidade".....