sexta-feira, novembro 03, 2006

3 Novembro

Ha seis anos atras....
Faleceu o avo O. Na mesma semana em que a Priscilla comecava a trabalhar e mudava para um apartamento novo. A Priscilla a comecar a vida, e o avo O. a acabar a sua. Foi uma das ironias da vida que nunca esqueci.

Tinha ido a casa na semana anterior e o avo ja estava muito mal. Viu as fotografias do meu apartamento novo. Despediu-se. E mandou-me embora. Literalmente mandou-me embora. O meu avo nunca me tinha mandado embora antes. Nao nos largavamos. Eramos inseparaveis. Estava metade do que costumava ser. E ate hoje me lembro do cheiro do avo O. Nao sei se me misturo de mais com caes e gatos, mas a verdade e que sempre identifiquei toda a gente pelo cheiro. Duma forma doentia ate. E o avo O. nao foi excepcao.

A MMDU nao me deixou ir ao enterro. O MPDU estava incomunicavel, como sempre fica nessas situacoes. Fui tambem proibida de falar com ele. Porque somos os dois iguais. Lembro-me de estar ao telefone com o Priscillo (o irmao do meio) a chorar o avo O. Isto ja no sabado dia 4.

Na sexta feira dia 3 tinha muita gente comigo. O Michael Meloes ainda ca nao estava, mas em minha casa estava a Baldrocas Larocas, O Dede Ta Toudo (a Baldrocas confessou mais tarde que tudo comecou por essa altura, e agora tao casados...), a Juju Toda Boa, e o Migeu Tom Tom (sim, tambem estes casados). Avisado da noticia, o Bonitinho (amigaco Brasileiro) juntou-se a nos. E passamos a noite a beber e contar historias de avos. No dia 4 estavamos todos ressacados e espalhados pela casa. O pobre do Bonitinho nao se podia mexer, porque e dificil enfiar 2 metros de pessoa num sofa de metro e meio.

No sabado seria a house-warming party. Que eu cancelei na sexta. Mas o Janinho-Ai-Meu-Deus (nome em honra da Baldrocas) nao tinha recebido o recado e apareceu pra festa. Resultado: sabado a noite mais um jantar com muito alcool, e arrozinho malandro de feijao vermelho. E muitas mais historias de avos....A Baldrocas Larocas nao se lembra de nada disto porque passou a noite toda a comer com os olhos, e duma maneira desavergonhadesima, o Janinho-Ai-Meu-Deus

Hoje lembro-me do avo O. quase todos os dias. E quando me irrito de valente, ou quando algo de fenomenal se passa, dou por mim a contar ao avo O, naquela fotografia que a TTQTNT tirou, no Carnaval de 96. Aquela fotografia que esta mesmo aqui a minha frente....

Como e que uma pessoa que faleceu pode estar tao viva?

6 comentários:

Cara D'Anjo Mau disse...

O meu avô era a pessoa de quem eu mais gostava e é aquela pessoa que mais falta me faz. Nunca mais fui o mesmo desde aquele dia.Foi como se me tivessem arrancado um pedaço de mim.

AEnima disse...

*suspiro*

A minha irma ainda ve o meu avo... aparece-lhe... eu nao tenho essa capacidade, mas ele esta tao cravado que sou parte dele e ele parte de mim.

Florença disse...

o amor não tem passado

Mamã P. disse...

A mim parece-me muito bom que ainda o sintas tão vivo!! Um amor assim é fantástico!!

Mãe do Outro Mundo disse...

Boa CK...

Tá uma mãe de familia no trabalho a esta hora. Decide vir ver-te enquanto espera uns dados que devem vir de barco a vapor desde a Tasmânia e depara-se com este post...

Resultado: Mãe de Familia no escritório quando devia estar em casa lavada em lágrimas...

NSC disse...

Há pessoas que marcam a nossa vida de uma forma especial. Um dos meus falecidos avós também marcou a minha vida e aquilo que eu sou hoje.

Penso nele várias vezes e como seria bom ele ver algumas das minhas conquistas dos últimos anos.

Mas também tenho a certeza que a Estrela no céu que olha por mim é ele.

Um beijinho, CK... ;-)