terça-feira, maio 20, 2008

Os meus nao-instintos de maternidade









Aviso: Maes da blogosfera nao leiam!




Ultimamente uma serie de grandes amigas minhas deram a luz/pariram/tiveram filhos escolham a versao que mais vos satisfizer). E cada vez que nasce mais um bebe, vem a eterna questao, o eterno comentario "ha-de chegar a tua vez" ou coisas do genero, etc e tal. O problema e que eu nao estou minimamente para ai virada. Nao tenho quaisquer instintos maternais, nao acho que as mulheres se definam pela maternidade, e o meu sonho nunca foi ter filhos. E a esta altura do campeonato havera prai uma serie de gente que me achara uma egoista, uma career freak, e outras coisas que tais. Mas nao. Eu ate gosto de criancas. Algumas sao engracadas. Alguns dos filhos das minhas amigas tem de facto piada. Mas instintos maternais, voces desculpem-me la, eu so tenho mesmo e com as minhas gatas. Se calhar falta-me uma hormona ou uma coisa qualquer, sei la….
Penso que a unica que me compreende e a Fren, uma amiga que de facto sempre quiz ter uma porrada de filhos e cujos sonhos de vida sempre passaram pela maternidade. Ela e a unica que me diz " Nao te sintas mal por nao teres ainda sentido o apelo da maternidade". Mas a questao comigo e bem pior. A questao /problema e que quanto mais me falam de fraldas, e coisas que tais, mais eu penso em fotografar, viajar, o prazer de dar a queca no marido onde quer que seja e sem interrupcoes, poder levar 10 pares de sapatos de ferias e 6 kilos de material fotografico de ferias em vez dos milhoes de sacos cheios de coisas de bebe, etc e tal. E que desculpem-me la, mas nao tenho mesmo saco ! E nao e que nao queira ter filhos. Acho que um, sim. Depois parar pra pensar e ver como e. Mas nao sou como a Susaninha da Mafaldinha, que "quando for grande queria ser mae"*. E posso tambem afirmar que quanto mais as minhas amigas tem filhos, mais eu me sinto isolada, e mais chegada me sinto a outras pessoas. E sinto-me isolada nao porque as minhas amigas me isolem, mas porque eu propria nao estou para as chatear. Muito simplesmente deixo de falar com elas sobre uma serie de assuntos porque acho que as desgracadas ja nao tem quase tempo nenhum, e quem sou eu para as incomodar com as trivialidades da vida de uma pessoa que no fundo faz o que quer e o que lhe da na gana. E apesar disto tudo, sou provavelmente a pessoa sem filhos que mais chegada e a todas estas amigas que tem filhos. Elas proprias o dizem.

Todas estas questoes se poe agora mais que nunca, por uma serie de motivos profissionais que nao posso estar agora praqui a explanar. O que posso dizer e que um gaijo faz o que lhe der na telha e uma gaija tem sempre que pensar e incluir a possibilidade de ter filhos na equacao e como isso lhe afecta a capacidade de trabalhar. Porque a bem ou a mal o filho e de ambos, mas quem tem que parir e a mae, etc e tal. E como me disse a Mae Neurotica** na quinta feira passada, eu a certa altura vou ter que parar pra ter filhos e nessa altura nao vou sentir que e o momento certo em termos de trabalho, etc e tal. Just the thought of that makes me want to take Prozac…..
E por estas e por outras e que eu gosto tanto de ler a Rititi. Porque apesar de nao a conhecer e de nunca a ter visto, a gaija ta prestes a parir mas mantem o humor que tinha, e nao anda prai a dizer que "vou ser mama" ou outras chafurdadas do mesmo genero.
* Pra quem nao souber, a Susaninha e a menina histerica que esta ao saltos no inicio do post
** A bebe finalmente saiu la pras 6 da tarde de sexta feira e a miuda nao chegou a ir ao tal jantar.
Notinha de rodape: esta mensagem nao e pra ser levada a peito por nenhum dos meus amigos.

7 comentários:

Mãe Frenética disse...

Querida, heeehhee... sabes q outro dia me ligaste e estavam os dois a berrar atrás de mim e eu ja nem sabia se conseguia falar contigo ou nao e pensei: "porra, pela primeira vez nao consigo falar com uma amiga!" e senti-me mesmo mal...

Eu, sinceramente, acho q é esta fase inicial, em q eles sao mesmo mto dependentes de nós. Daqui por uns tempos, eu pelo menos, mal comece a trabalhar, volto a ter o mesmo tempo, claro q algo reduzido... e apesar de tu nao teres filhos eu gosto de sentir q continuo a ter montes de afinidades ctgo. Qdo deixar de ter, sinceramente, vai ser mto pior para mim pq significa q me anulei bastante como mulher.

Eu sinto, mesmo, q as mulheres nao devem ser todas maes apenas pq podemos fisiologicamente sê-lo. E se tu nunca tiveres filhos NUNCA deves sentir-te mal por isso, CK. Promete-me q vais tentar contrariar esses sentimentos de culpa, sim?

Alem de que, este mundo está tão estuporado q trazer crianças para ca pode vir a ser considerado crime... contra mim falo, q vou ja no segundo, mas honestamente acho q as coisas estão mesmo mto más...

CLS disse...

Entendo-te. Uma parte de mim gostaria de ser como tu e fazer tudo isso que falas, as viagens e tal. Essa parte de mim aceitou as opções que tomei ao longo da vida e que me conduziram a ser mãe de duas crias.Essa parte de mim não morreu, ainda sonha, adaptou alguns sonhos e vive feliz, porque as opções que tomei me fazem feliz.
É, nao há volta a dar-lhe, a carreira de uma mulher está sempre condicionada pela variável "maternidade". Felizmente, ainda está na mão da mulher decidir que valor toma essa variável, por isso quem decide és tu, ignora as pressões sociais.
Um beijinho.

Cristina disse...

Eu, pelo contrário, sempre tive o apelo da maternidade. Mas compreendo quem não o tenha. E a vida tem muitos atractivos extra-filhos. E pelo que tenho lido, tu tens aproveitado muito bem! Eu resta-me esperar que elas cresçam. Mas ficam muitos sonhos por concretizar!!!

Cristina

Cool Mum disse...

My dear, assino por baixo da fren, mesmo conhecendo-te há pouco tempo.
Pressoes sociais, ignora-as. Agora as profissionais e que e do cara***.
kiss

aiaminhavida disse...

amori: eu nunca senti apelo nenhum de maternidade. Tal como tu sempre apreciei mais o lazer e as viagens do que aturar criancinhas. No entanto, a natureza e as minhas contas mal feitas encarregaram-se de me trazer a minha piolha. Posso dizer-te que nem depois dela ter nascido me senti grande coisa no papel de mãe...nem sabia pegar-lhe...o jp tinha muito mais jeitinho do que eu, por isso, imagina! Claro que hoje fico feliz por ter o meu rebentinho, como é obvio. Outra coisa importante: realmente deixamos de ter tanta disponibilidade para o convívio com o pessoal mas, no meu caso, bem me custa. Quando posso deixo a B com o JP e vou pra minha sessão de corte com a minha maltinha. Sabe-me tão bem não ter que falar em fraldas e doencinhas de crianças... Realmente há uma determinada espécie de mães que não se fartam de falar sempre no mesmo: filhos e tudo o que vem atrás... Por isso, a opção é tua, mas ter filhos também não acaba assim com a nossa vida, à excepção dos primeiros meses ou do primeiro ano, depois é deixares com quem a possa aturar e ires curtir.Outra coisa importante: empregada todos os dias e a vida melhora consideravelmente...que se lixe o dinheiro...
beijos e beijos e beijos:)

Avelã disse...

compreendo-te tao bem

Teresa disse...

Li e vou comentar!!!
Até aos 32 anos também não sentia apelo nenhum a não ser pela boa vida, viagens, dormir muiiiito e a bela da carreira mas um belo dia...tcharaaaam!!!! E agora vão 3!!!
Mas na altura, e agora também não, não me achava nada "anormal" por não querer ter filhos e estava convicta que nunca os ía ter e compreendo-te muito bem!!!
Confesso que às vezes sinto-me...nem encontro a palavra, a gravidez dupla levou-me o neurónio que me restava..."overwhelmed" ( e não consigo mesmo pensar noutra palavra...) pela sensação de que tenho 3 seres que dependem de mim durante mais uns bons anos da minha vida e que estou a perder tanta coisa...mas depois lembro-me que ganho coisas que nunca esperei, e que sinto por eles o que nunca pensei ser possível...
mas que coment. tão longo e estranho...
Beijinhos