quinta-feira, março 11, 2010

Alberta, sempre Alberta

Faz hoje um ano minha linda. Um ano passou, um ano maldito, um ano malvado, que me levou tanta coisa e que tambem tanta coisa me deu. Mas confesso que a tua partida foi coisa que nao consegui entender.

Lembro-me de quando a MMDU e o MPDU finalmente cederam e me deixaram ter um gato. Eu sonhava com um gato macho, preto, chamado Tomas. Fazia-me lembrar o Tico, aquele gato que morreu quando eu tinha 9 anos e que tanta memoria me deixou. Mas nao. Nao estava escrito. Para mim, o que me estava reservado era uma gata, Minhota, do Norte e Nortenha vincada, tricolor e meia aloirada, com uma personalidade extremamente demarcada e nao controlavel. Foi amor a primeira vista e nao ha amor como o primeiro. A Alberta tinha assim entrado na minha vida e desde esse dia em Junho de 2005, nunca mais de la saiu.

Lembro-me de desgostos e desgostos com namorados e amigos, e lembrome- de me agarra a chorar a almofada, e la estava ela, a ronronar a beira. Lembro-me dos exames da faculdade e dela la estar, apesar de ser verao e da vidinha ser muito mais interessante la fora, mas nao , l estava ela, leal como sempre, no meu escritorio, muitas vezes em cima do computador com a cauda a abarnar freneticamente (o que de facto nao ajudava muito o meu trabalho). Lembro-me de me seguir pra todo o lado. Mas de nao dar confianca a estranhos.

Lembro-me tambem de quando resolveu saltar da janela do terceiro andar, e depois subir a uma arvore. lembro-me de nesse domingo ter que chamar os bombeiros pra tirarem da arvore, e lembro-me dos marmanjos pendurados na arvore a perguntarem como e que ela se chamava - e depois de eu dizer que era Alberta, mas que eu lhe chamava menina, la estavam os marmanjos a dizer menina, menina, bch-bch-bch, e a Alberta a olhar pra eles que nem boi a olhar pra palacio. Lembro-me tambem de lhes ter saltado em cima e dos marmanjos se terem acagacado por completo.

Ficam tambem as memorias de ter comido o cheque que era pro electricista, e dos cocos de protesto - quando se lhe ralhava por aguma coisa, insistia em ir fazer coco a entrada de casa....O que eu sempre achei engracadissimo, pra horror da MMDU.

Ficam tambem as memorias daquela primeira ninhada - o atrevido, a tomasia, a maria francisca e a N. deles todos so ca esta a N. Lembro-me da B ter ido la pra casa e da Alberta nao ter achado piada nenhuma. E de nao achar piada nenhuma sempre que alguem se aproximasse de mim. Lembro-me do misterio do urso de peluche, que se descobriu passado uns anos que era a dona alberta que corria pro meu quarto e se deitava na cama em cima do urso a lamber o pelo de peluche.

Lembro-me das chegadas de Londres e da corrida imediata pra ver as gatas - e dos protestos da MMDU (e mais tarde do Elvis) que achava que a minha relacao com as gatas era anormal e nao saudavel.

Lembro-me daquele dia 1 de fevereiro, quando o voo da ryanair foi cancelado e fiquei retida no porto, voltei pra casa e passei a tarde toda a dormir com a gata. lembro-me como se fosse hoje de lhe ter dado instrucoes muito precisas de se aguentar, apesar de ja esta muito doente, e de lhe ter dito cara na cara que eu jamais aguentaria se lhe desse alguma coisa. Em bom estilo Albertino, quem ganhou foi ela que sempre fez o que quiz. E quem ca ficou fui eu.

As vezes fecho os olhos e palavra de honra que consigo sentir o cheiro da gata e o pelo dela. Tinha a mania de se deitar em cima de mim, mas nao so em cima, mas mais precisamente em cima da minha cara, e roncar que nem uma desesperada. E se eu me mexesse, tambem ela se mexia, que aqui quem manda e ela.

A Alberta foi embora e o meu mundo nunca mais foi o mesmo. O meu marido protesta com as fotografias da gata pela casa fora, e escondeu-me uma fotografia dela que eu tinha na mesinha de cabeceira - a socapa!

E hoje, enquanto espero que o peter me diga exactamente em que dia da proxima semana e que a N e a B chegam, data que espero ansiosamente pois todos os dias chego a casa e penso no dia em que vou ter as minhas gatas comigo, pois enquanto espero pela data proxima, nao deixo de pensar na ironia do dia de hoje. 

Nao houve amiga como ela, nao houve relacao como a que tive com ela, nao houve gato nem cao como ela. Nao ha amor como o primeiro, Alberta.

ps - o MPDU costuma dizer que quanto mais conhece as pessoas, mais gosta dos animais. Confesso que uma das coisas que levo desta vida e a relacao com os animais de estimacao. Quem tiver possibilidades financeiras e de tempo de os ter, aconselho vivamente. Mesmo tendo que passar pelas dores das doencas e das mortes, nao ha nada como a relacao do Homem com um animal de estimacao. E puramente magico!
 

5 comentários:

AnAndrade disse...

Sabes... já passei por muitas mortes e perdas de bichos. E agora, ao ler o teu texto, antecipei a partida da Petra, que já tem 11 anos e envelhece a cada dia que passa. Quando entro em casa e não vejo aquele monte de pelo (não são banhas!, ela é muito larga de ossos e tem muito pelo!) a abanar-se vigorosamente à porta, corro para o andar de cima, para ver se está bem. Normalmente, dorme. Sei que um dia o sono vai ser para sempre. E por mais que me prepare e o antecipe, sei que o meu mundo vai morrer um bocadinho quando acontecer.
Um hino às Albertas e Petras deste mundo (uma gata. outra cadela, what the hell, vai tudo dar no mesmo). Porque tornam o nosso sobejamente melhor.

Beijo para ti.

Afrika disse...

CK, sei bem do que falas. O teu amor incondicional pela Alberta, é e foi o meu amor pelo Peluche, o meu cão. Ainda hoje choro, ainda hoje me custa muito te-lo perdido. Mas acredito que me custa mais porque, o meu maior desejo era voltar a ter de novo um animal na minha vida, mas a vida que levo não me permite pelo menos pra ja, concretizar esse desejo.

Enquanto algumas mulheres, sonham, desejam perpetuar a espécie, eu, só desejo ter um cão ou um gato na minha vida...

Beijinhos.

P.S.tudo vai ficar melhor quando tiveres a N e a B por perto.

AEnima disse...

A tua relacao com a Alberta nao esta muito longe da que tive com a Piggy, que morreu ha alguns meses. Infelizmente a caozinha tinha sido dada 'a minha irma, por isso nunca a levei comigo, mas desde Maio de 94 que la no fundo era minha.

Agora tenho o Oliver, desde 2001. Adoptei-o nos US e sempre fez todos os voos transatlanticos comigo qdo ia a pt pelo Natal e no verao. Agora esta na casa dos meus pais e pode vir para o UK em Agosto, mas ja esta tao habituado aos outros gatos e tenho pena de o trazer de la, se bem que aluguei uma casa com jardim e tudo por causa dele... alias, tudo o que escolho e' a pensar nele.

Nao sei bem por onde me decidir, que ele agora tem 8 anos e 10,5 kilos e nao eh facil transporta-lo, nem ele e' um jovem para levar a coisa de animo leve. Com UK - PT tao perto, sao muitos os fins de semana que viajo e nao o quero trazer para o deixar sozinho. Foi por isso que nao levaste a Alberta contigo? Estou mesmo muito dividida.
Olha, deixei aqui um testamento. Desculpa. Eu tb vou primeiro visitar a campa da Piggy no jardim antes de entrar em casa para dar beijinhos 'a famelga.

Sofia disse...

Olá eu chamo-me Carla
Hoje dia 30-03-2010 perdi o meu gato tinha 24 anos de idade, muitos médios hoje disseram que o que eu tinha (gato) ou seja já ñ era uma raridade mas sim um fóssil era muito lindo, o melhor companheiro do mundo, ontem teve um ataque e de manha levei-o ao hospital ficou lá um dia mas estava muito fraco, então chamaram-me para dar a noticia que o teria que abater a não ser que o quisesse assim inabilitado sem andar e sem comer sozinho. Então tive que decidir, custou tanto a minha dor é enorme, acho que nunca vou esquecer este dia, perdi um companheiro fiel e amoroso.
Miky agradeço as noite que dormiste ao meu lado, das tardes que passavas deitadinho no meu peito a fazer, rom rom. Nunca te eide esqucer Adoro-te

Sofia disse...

Por isso sei o que sentes, e por ti vejo que está visto que tb vou sofrer tanto ou mais k tu... Obrigado e boa sorte